quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Como se nada tivesse acontecido...

O bulício dos carros incomoda-me nesta tarefa de te lembrar, já pouco resta de teu nas minhas ténues memórias …
…da tua indiferença…
…das vezes que a tua presença era esperada e não apareces-te…
…das incómodas noites a ver-te bajular o mais recente objecto do teu desejo, a tua nova conquista…
…Os ferozes momentos em que procuras-te que eu fosse o teu vibrador doméstico…
…a aposta que nunca cumpri… que agora agradeço à minha falta de coragem e à cobardia nunca ter levado a bom porto…

Apercebo-me de que nunca te apercebes-te que estava eu ali, ou porque nunca parti… Julgo que nunca quiseste realmente saber, desde que nunca tivesses que me procurar…

Sinto-me agora descartável, como uma pastilha elástica, se bem que… Não. Nenhuma pastilha elástica se mastiga mais que uma vez, e tu tentas mascar a minha alma de cada vez que o ócio ou a falta de mulher te assaltam as vontades… Sou trocada uma vez ou outra vez, e fui trocada mais que uma vez, mais uma vez… Descobris-te que aquela nossa amiga já não namora não foi?

Precipitei-me ao pensar que desta vez seria diferente não? Ao julgar que seria mais que uma mera brincadeira… Mas já me precipitei tantas vezes…
Já esperei tanto tempo e ainda assim, continuas a não me ajudar em nada nesta árdua tarefa de ser mulher… E O MEU CORAÇÃO?!

Com um baque surdo dentro do meu peito, como que a lembrar-me que ainda existia, o meu coração deu uma cambalhota apertada, tentando revoltar-se contra a iminente decisão de virar as costas e riscar-te da minha tela, fez-me lembrar que ainda estava ali, que ainda sentia… afinal, toda a reviravolta de volta do teu nome não eram mais que meras palavras, meras palavras que feriam mais que mil punhais afiados, mas ainda assim, meras palavras…

Não sei que esperar da vida, revolta-me esta incapacidade de apagar o melhor que há de ti para conseguir aproveitar o que de melhor tenho, pareces uma nuvem por cima da minha cabeça, abafas-me o cérebro, parece que me turvas a visão e a capacidade de pensar… ESTILHAÇAS-ME A ALMA…

E ainda estilhaçada pela espera e pela ânsia a minha alma aguarda que um novo vislumbre de luz lhe ilumine o caminho, que algo lhe diga que não é tarde demais, que todos os pedaços em que se encontra desfeita se podem colar… Que não é perene e um dia, quando as Fénix voltarem a renascer das cinzas também ela será capaz de voltar a renascer para a vida… COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Palavras

Quando não há palavras, para quê desperdiça-las na sua bela candura e fazê-las vibrar…?

Quando 1000 palavras não chegam, que significado somos nós às palavras que ceifamos sem piedade…?

Quando as palavras são supérfluas, para quê desperdiçar a sua magia…?

Acabaram-se-me as palavras para te dizer que te amo, para te sentir… esgotaram-se-me as cordas vocais até à ultima nota, e ainda assim, impotente, sinto que nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para te glorificar, para te mostrar o que sinto, de que me servem as palavras…

Não sinto vergonha, nem quero pedir desculpa pelo meu atrevimento às palavras… para que me servem elas, para que me servem? Se nem todas as palavras do mundo me podem fazer feliz.

Não sabia que me podia sentir assim, como que o céu me caí-se nos ombros, tão abafada, tão fora do meu ser etéreo… Porque não olhas para mim?