O bulício dos carros incomoda-me nesta tarefa de te lembrar, já pouco resta de teu nas minhas ténues memórias …
…da tua indiferença…
…das vezes que a tua presença era esperada e não apareces-te…
…das incómodas noites a ver-te bajular o mais recente objecto do teu desejo, a tua nova conquista…
…Os ferozes momentos em que procuras-te que eu fosse o teu vibrador doméstico…
…a aposta que nunca cumpri… que agora agradeço à minha falta de coragem e à cobardia nunca ter levado a bom porto…
Apercebo-me de que nunca te apercebes-te que estava eu ali, ou porque nunca parti… Julgo que nunca quiseste realmente saber, desde que nunca tivesses que me procurar…
Sinto-me agora descartável, como uma pastilha elástica, se bem que… Não. Nenhuma pastilha elástica se mastiga mais que uma vez, e tu tentas mascar a minha alma de cada vez que o ócio ou a falta de mulher te assaltam as vontades… Sou trocada uma vez ou outra vez, e fui trocada mais que uma vez, mais uma vez… Descobris-te que aquela nossa amiga já não namora não foi?
Precipitei-me ao pensar que desta vez seria diferente não? Ao julgar que seria mais que uma mera brincadeira… Mas já me precipitei tantas vezes…
Já esperei tanto tempo e ainda assim, continuas a não me ajudar em nada nesta árdua tarefa de ser mulher… E O MEU CORAÇÃO?!
Com um baque surdo dentro do meu peito, como que a lembrar-me que ainda existia, o meu coração deu uma cambalhota apertada, tentando revoltar-se contra a iminente decisão de virar as costas e riscar-te da minha tela, fez-me lembrar que ainda estava ali, que ainda sentia… afinal, toda a reviravolta de volta do teu nome não eram mais que meras palavras, meras palavras que feriam mais que mil punhais afiados, mas ainda assim, meras palavras…
Não sei que esperar da vida, revolta-me esta incapacidade de apagar o melhor que há de ti para conseguir aproveitar o que de melhor tenho, pareces uma nuvem por cima da minha cabeça, abafas-me o cérebro, parece que me turvas a visão e a capacidade de pensar… ESTILHAÇAS-ME A ALMA…
E ainda estilhaçada pela espera e pela ânsia a minha alma aguarda que um novo vislumbre de luz lhe ilumine o caminho, que algo lhe diga que não é tarde demais, que todos os pedaços em que se encontra desfeita se podem colar… Que não é perene e um dia, quando as Fénix voltarem a renascer das cinzas também ela será capaz de voltar a renascer para a vida… COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Palavras
Quando não há palavras, para quê desperdiça-las na sua bela candura e fazê-las vibrar…?
Quando 1000 palavras não chegam, que significado somos nós às palavras que ceifamos sem piedade…?
Quando as palavras são supérfluas, para quê desperdiçar a sua magia…?
Acabaram-se-me as palavras para te dizer que te amo, para te sentir… esgotaram-se-me as cordas vocais até à ultima nota, e ainda assim, impotente, sinto que nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para te glorificar, para te mostrar o que sinto, de que me servem as palavras…
Não sinto vergonha, nem quero pedir desculpa pelo meu atrevimento às palavras… para que me servem elas, para que me servem? Se nem todas as palavras do mundo me podem fazer feliz.
Não sabia que me podia sentir assim, como que o céu me caí-se nos ombros, tão abafada, tão fora do meu ser etéreo… Porque não olhas para mim?
Quando 1000 palavras não chegam, que significado somos nós às palavras que ceifamos sem piedade…?
Quando as palavras são supérfluas, para quê desperdiçar a sua magia…?
Acabaram-se-me as palavras para te dizer que te amo, para te sentir… esgotaram-se-me as cordas vocais até à ultima nota, e ainda assim, impotente, sinto que nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para te glorificar, para te mostrar o que sinto, de que me servem as palavras…
Não sinto vergonha, nem quero pedir desculpa pelo meu atrevimento às palavras… para que me servem elas, para que me servem? Se nem todas as palavras do mundo me podem fazer feliz.
Não sabia que me podia sentir assim, como que o céu me caí-se nos ombros, tão abafada, tão fora do meu ser etéreo… Porque não olhas para mim?
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Mares e marés
Se um raio de luz iluminasse meu mundo... talvez olhasse, talvez visse as novas cores por que anseio, porque te anseio, porque te fui….
Ondas revoltas de mares de agouros relembram-me de ti a cada passo que dou…
Entra em alvoroço o que resta de um coração amargurado pela espera…
Porque não te olho já com olhos benevolentes
Por todas as coisas que não sabes
Porque venero um deus sobranceiro que não me olha do seu pedestal.
Laivos de raiva irradiam do que me resta… Com a penumbra por companhia esqueço o sabor da luz, e enquanto teu rosto me tenta o corpo, teu ser será uma cruz… torturante como teus olhos… vazia.
Natureza de um mar que não és, calma tranquilidade ambígua, por que mares me arrastas, marés, nessa tua indecência... Por onde alastras teu consentâneo ser? Vivo e morro três vezes por perder e por poder. Junto o amargo ao incerto num largo barco de perder, junto-me ao lago mais perto de um eterno estremecer.
Já não sei o que digo nesta amalgama de pensar. Será sentimento antigo ou novo posto de pesar?
Quem fui e por quem és não voltarei a ser, porquê estar agarrada aos pés se as asas me turvam o ser. Anjos negros são livres, carregam com melancolia seu chorar, deixam para trás as penas e a alegria do pesar. Abrir asas, voa...
Gesto simples de voar, não voltarei a amar assim o incerto anjo que foge de mim.
Ondas revoltas de mares de agouros relembram-me de ti a cada passo que dou…
Entra em alvoroço o que resta de um coração amargurado pela espera…
Porque não te olho já com olhos benevolentes
Por todas as coisas que não sabes
Porque venero um deus sobranceiro que não me olha do seu pedestal.
Laivos de raiva irradiam do que me resta… Com a penumbra por companhia esqueço o sabor da luz, e enquanto teu rosto me tenta o corpo, teu ser será uma cruz… torturante como teus olhos… vazia.
Natureza de um mar que não és, calma tranquilidade ambígua, por que mares me arrastas, marés, nessa tua indecência... Por onde alastras teu consentâneo ser? Vivo e morro três vezes por perder e por poder. Junto o amargo ao incerto num largo barco de perder, junto-me ao lago mais perto de um eterno estremecer.
Já não sei o que digo nesta amalgama de pensar. Será sentimento antigo ou novo posto de pesar?
Quem fui e por quem és não voltarei a ser, porquê estar agarrada aos pés se as asas me turvam o ser. Anjos negros são livres, carregam com melancolia seu chorar, deixam para trás as penas e a alegria do pesar. Abrir asas, voa...
Gesto simples de voar, não voltarei a amar assim o incerto anjo que foge de mim.
sábado, 5 de abril de 2008
Ouve-me...
Ansiedade, abafamento, que vida… parece um nevoeiro, pesa, essa tua lembrança, essa tua mania de te evidenciares da multidão, essa tua inusitada forma de ser fortemente frágil, de ser um solitário entre a gente, de seres tu…
Não consigo encontrar-te no meio dessas tuas nuvens densas de tempestade, não consigo encontrar a essência da perfeição do teu ser… Onde te encontro? O que faço?
Pesas-me na alma, pesas-me mais que todo o mundo as minhas costas, pesas-me tanto… esse teu olhar sentido, triste, vago, és algo de excessos…
As vezes gostaria de ser capaz de deitar para trás das costas toda esta máscara de auto-preservação, estas paredes que sempre me protegeram de ti e simplesmente ser capaz de te ajudar com o fardo que carregas…
Sempre tiveste o condão de parecer alguém observador, alguém perspicaz, e eu a enganar-te a ti e a mim todo este tempo… tive direito de faze-lo? Não sei, sempre achei que seria melhor assim, melhor não saberes como me partes o coração de cada vez que voltas para os braços dela, como me fazes perder a respiração quando me olhas com esses olhos de infelicidade, como essa tua perfeita forma de ser me deixa dubiamente espantada com a capacidade de ainda me surpreender… Ainda assim não está certo, é certo que o meu coração se mantém na mesma caixa de sapatos em que o deixei quando te apaixonas-te, mas não deixei de te amar, simplesmente nunca soube tomar atitudes drásticas o suficiente para te deixar para trás e seguir com a minha vida…
Sinto-me tão perdida, sinto tanto a falta que me fazes, sinto-te tanto nos nossos momentos de silêncio, nos momentos em que lado a lado sinto o peso estático da atmosfera carregada que emanas, a atmosfera de um sofredor que ainda não descobriu que caminho tomar na penosa caminhada desta vida.
Sei que os teus braços abertos estão longe demais, até porque não é a mim que eles esperam, ouve-me, estou desesperada, tens que estar por aí, algures… Já não aguento, a tua melodia não me sai da cabeça, ribomba lá dentro com a força de mil trovões, explode-me, ouve-me, ouve-me agora… viras-te o meu mundo ao contrário, destruíste tudo aquilo que me restava de sanidade, tudo o que me prendia a esta mundana forma de ser, não sei reconstruir estes escombros, que vida…
Não consigo encontrar-te no meio dessas tuas nuvens densas de tempestade, não consigo encontrar a essência da perfeição do teu ser… Onde te encontro? O que faço?
Pesas-me na alma, pesas-me mais que todo o mundo as minhas costas, pesas-me tanto… esse teu olhar sentido, triste, vago, és algo de excessos…
As vezes gostaria de ser capaz de deitar para trás das costas toda esta máscara de auto-preservação, estas paredes que sempre me protegeram de ti e simplesmente ser capaz de te ajudar com o fardo que carregas…
Sempre tiveste o condão de parecer alguém observador, alguém perspicaz, e eu a enganar-te a ti e a mim todo este tempo… tive direito de faze-lo? Não sei, sempre achei que seria melhor assim, melhor não saberes como me partes o coração de cada vez que voltas para os braços dela, como me fazes perder a respiração quando me olhas com esses olhos de infelicidade, como essa tua perfeita forma de ser me deixa dubiamente espantada com a capacidade de ainda me surpreender… Ainda assim não está certo, é certo que o meu coração se mantém na mesma caixa de sapatos em que o deixei quando te apaixonas-te, mas não deixei de te amar, simplesmente nunca soube tomar atitudes drásticas o suficiente para te deixar para trás e seguir com a minha vida…
Sinto-me tão perdida, sinto tanto a falta que me fazes, sinto-te tanto nos nossos momentos de silêncio, nos momentos em que lado a lado sinto o peso estático da atmosfera carregada que emanas, a atmosfera de um sofredor que ainda não descobriu que caminho tomar na penosa caminhada desta vida.
Sei que os teus braços abertos estão longe demais, até porque não é a mim que eles esperam, ouve-me, estou desesperada, tens que estar por aí, algures… Já não aguento, a tua melodia não me sai da cabeça, ribomba lá dentro com a força de mil trovões, explode-me, ouve-me, ouve-me agora… viras-te o meu mundo ao contrário, destruíste tudo aquilo que me restava de sanidade, tudo o que me prendia a esta mundana forma de ser, não sei reconstruir estes escombros, que vida…
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Espada, Prosas sentidas
Procurei algo que me ligasse à realidade, uma resposta, um qualquer laivo de presença, algo que indicasse que ainda era tempo de lutar contra a tua indiferença. Perdi-me nas minhas estúpidas respostas politicamente correctas, era algo que não esperava mas tive que enfrentar, sentia-me como quando estamos frente a frente com o mais poderoso dos demónios, como quando a espada é a alternativa a parede. Não que algum dia acredita-se em diabos ou tentações, sempre soube que o meu pior demónio, a pior arma de destruição maciça a face da minha terra sou eu, e aceito-o com a veemência de quem não tem outra opção.
Quando a noite voltou, trouxe consigo as lembranças de que as nossas mãos, vazias agora, já foram possuidoras da intemporalidade, de uma outra entidade talvez maior e mais forte que qualquer um de nós algum dia sonhou ser… as lembranças de outras noites, de outros dias que pareciam eternos, dias em que a felicidade parecia
rebentar-nos no peito, parecia ser maior que nos próprios … Dos tempos em que os
corações batiam com a pulsante alegria de ser imortalmente eternos, de
cantarolar encurralados por algo brilhante e de levarem a todos os poros que a
pele podia suportar o perfume sublime de uma desajeitada paixão…
Em todas as recordações imperfeitas que não
fazem jus à intemporalidades do que fomos nem à profunda beleza
do teu ser perco o meu tempo, excessivamente livre de sonhos e futuro perco o
meu tempo lembrando-te preservando-te como a mais perfeita das imperfeitas
recordações que relembro e sei no meu âmago profundo que serás, para sempre, a
mais belas das minhas recordações…
Tentei tantas vezes escapar a este pesadelo, tantas vezes procurei que visses o grande e negro buraco que deixas-te no âmago soturno do meu peito, tantas vezes menti, omiti e procurei esconder este meu descontrolo… porque todos os punhais que mutilaram o meu coração ainda lá estão, bem cravados, porque por mais que ele queira renascer a esperança apenas foi capaz de ajudar a cravar mais fundo as lâminas dos meus punhais. Não sabia quão frágil podia ser, simplesmente não sabia, não sabia que podia desfazer-me em mil pedaços, desintegrar-me se te fosses, doem-me as mãos de as apertar contra o peito para não deixar que o abismo que deixas-te
alastre, para que os escombros do que sobrou de mim e da minha alma não acabem
de se desfazer em pó.
Talvez se possa dizer que deixei com isto de viver, mas enquanto me mantenho morna não morro, enquanto sorrio não revelo a ninguém a vastidão do vazio que me invade. Enquanto a vida que me abandonou não me persegue posso só ser, ser sem sentir, sem que o torpor me afogue posso ser só um ser destruído e frágil.
Continuo a perguntar-me como sobrevivo sem ti, como continuam os dias a passar se não estás a meu lado, como continuo eu aqui, sentada frente a estas velhas notas, a ser capaz de escrever sobre ti e o que sinto… Por vezes as lágrimas assolam-me a face, não consigo esconde-las… Mas magoam mais o coração que os olhos cansados… Não sou capaz de as conter…
Devia ser capaz de bater a porta, devia ser capaz de ser extremista ao ponto
de mudar de mundo, de ter uma tela limpa, sem tinta, tenho direito de fazer um
risco firme no meu quadro, mas sei que ainda terei que aprender a renascer…
Queria apenas atirar para a arca dos
pesadelos tudo o relembro de ti, fazer de todas as memórias uma recordação baça como uma manhã de nevoeiro, fazer delas algo incólume e incapaz de me magoar, mas elas insistem em ficar marcadas a fogo na minha pele na minha memória e em todos os meus sentidos…
Quando a noite voltou, trouxe consigo as lembranças de que as nossas mãos, vazias agora, já foram possuidoras da intemporalidade, de uma outra entidade talvez maior e mais forte que qualquer um de nós algum dia sonhou ser… as lembranças de outras noites, de outros dias que pareciam eternos, dias em que a felicidade parecia
rebentar-nos no peito, parecia ser maior que nos próprios … Dos tempos em que os
corações batiam com a pulsante alegria de ser imortalmente eternos, de
cantarolar encurralados por algo brilhante e de levarem a todos os poros que a
pele podia suportar o perfume sublime de uma desajeitada paixão…
Em todas as recordações imperfeitas que não
fazem jus à intemporalidades do que fomos nem à profunda beleza
do teu ser perco o meu tempo, excessivamente livre de sonhos e futuro perco o
meu tempo lembrando-te preservando-te como a mais perfeita das imperfeitas
recordações que relembro e sei no meu âmago profundo que serás, para sempre, a
mais belas das minhas recordações…
Tentei tantas vezes escapar a este pesadelo, tantas vezes procurei que visses o grande e negro buraco que deixas-te no âmago soturno do meu peito, tantas vezes menti, omiti e procurei esconder este meu descontrolo… porque todos os punhais que mutilaram o meu coração ainda lá estão, bem cravados, porque por mais que ele queira renascer a esperança apenas foi capaz de ajudar a cravar mais fundo as lâminas dos meus punhais. Não sabia quão frágil podia ser, simplesmente não sabia, não sabia que podia desfazer-me em mil pedaços, desintegrar-me se te fosses, doem-me as mãos de as apertar contra o peito para não deixar que o abismo que deixas-te
alastre, para que os escombros do que sobrou de mim e da minha alma não acabem
de se desfazer em pó.
Talvez se possa dizer que deixei com isto de viver, mas enquanto me mantenho morna não morro, enquanto sorrio não revelo a ninguém a vastidão do vazio que me invade. Enquanto a vida que me abandonou não me persegue posso só ser, ser sem sentir, sem que o torpor me afogue posso ser só um ser destruído e frágil.
Continuo a perguntar-me como sobrevivo sem ti, como continuam os dias a passar se não estás a meu lado, como continuo eu aqui, sentada frente a estas velhas notas, a ser capaz de escrever sobre ti e o que sinto… Por vezes as lágrimas assolam-me a face, não consigo esconde-las… Mas magoam mais o coração que os olhos cansados… Não sou capaz de as conter…
Devia ser capaz de bater a porta, devia ser capaz de ser extremista ao ponto
de mudar de mundo, de ter uma tela limpa, sem tinta, tenho direito de fazer um
risco firme no meu quadro, mas sei que ainda terei que aprender a renascer…
Queria apenas atirar para a arca dos
pesadelos tudo o relembro de ti, fazer de todas as memórias uma recordação baça como uma manhã de nevoeiro, fazer delas algo incólume e incapaz de me magoar, mas elas insistem em ficar marcadas a fogo na minha pele na minha memória e em todos os meus sentidos…
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