sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Onde tudo morre, só há cinzas

Onde tudo morre, dizem, tudo pode renascer… mas como fazer renascer das cinzas algo mais negro que a noite de breu? Onde tudo morre só há cinzas e pó inertes. Como esperar que algo renasça em terrenos inóspitos como o é a minha alma… bradam-se deuses e forças incoercíveis por um terreno vazio de amor, de esperança…

Dentro do peito onde já existiu um coração jaz algo difuso, um material estranho entre o gelo e a pedra, Isa fez os seus estragos e algo inominável, algo incapaz de se corrigir ou de se dar a conhecer ao mundo jaz onde deveria existir um coração.

Deixas-te dentro de mim um monstro, um monstro que ruge de alegria e rejubila ao ver os estragos que fez, os estragos que deixas-te… um monstro que rejubila quando o ódio misturado com a desilusão te trazem de volta aos recônditos mais negros da minha memória.

Hoje matei-te anjo negro, não a tua forma física ou o corpo que me tenta, mas o ser que em mim existia e ao qual já foste mais fiel, o qual tu foste mas não foste capaz de continuar a ser… Aquele de quem nem as sombras ficaram na tua existência…

Matei a frivolidade porque me vendi, ao ver que dela nada resta, tu não és o meu anjo negro, nem sei o que és, monstro negro feito de trevas, matei-te para que o teu espectro não seja capaz de deixar mais marcas em meu corpo, e pior de que isso, na minha alma.