Se um raio de luz iluminasse meu mundo... talvez olhasse, talvez visse as novas cores por que anseio, porque te anseio, porque te fui….
Ondas revoltas de mares de agouros relembram-me de ti a cada passo que dou…
Entra em alvoroço o que resta de um coração amargurado pela espera…
Porque não te olho já com olhos benevolentes
Por todas as coisas que não sabes
Porque venero um deus sobranceiro que não me olha do seu pedestal.
Laivos de raiva irradiam do que me resta… Com a penumbra por companhia esqueço o sabor da luz, e enquanto teu rosto me tenta o corpo, teu ser será uma cruz… torturante como teus olhos… vazia.
Natureza de um mar que não és, calma tranquilidade ambígua, por que mares me arrastas, marés, nessa tua indecência... Por onde alastras teu consentâneo ser? Vivo e morro três vezes por perder e por poder. Junto o amargo ao incerto num largo barco de perder, junto-me ao lago mais perto de um eterno estremecer.
Já não sei o que digo nesta amalgama de pensar. Será sentimento antigo ou novo posto de pesar?
Quem fui e por quem és não voltarei a ser, porquê estar agarrada aos pés se as asas me turvam o ser. Anjos negros são livres, carregam com melancolia seu chorar, deixam para trás as penas e a alegria do pesar. Abrir asas, voa...
Gesto simples de voar, não voltarei a amar assim o incerto anjo que foge de mim.
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