Ansiedade, abafamento, que vida… parece um nevoeiro, pesa, essa tua lembrança, essa tua mania de te evidenciares da multidão, essa tua inusitada forma de ser fortemente frágil, de ser um solitário entre a gente, de seres tu…
Não consigo encontrar-te no meio dessas tuas nuvens densas de tempestade, não consigo encontrar a essência da perfeição do teu ser… Onde te encontro? O que faço?
Pesas-me na alma, pesas-me mais que todo o mundo as minhas costas, pesas-me tanto… esse teu olhar sentido, triste, vago, és algo de excessos…
As vezes gostaria de ser capaz de deitar para trás das costas toda esta máscara de auto-preservação, estas paredes que sempre me protegeram de ti e simplesmente ser capaz de te ajudar com o fardo que carregas…
Sempre tiveste o condão de parecer alguém observador, alguém perspicaz, e eu a enganar-te a ti e a mim todo este tempo… tive direito de faze-lo? Não sei, sempre achei que seria melhor assim, melhor não saberes como me partes o coração de cada vez que voltas para os braços dela, como me fazes perder a respiração quando me olhas com esses olhos de infelicidade, como essa tua perfeita forma de ser me deixa dubiamente espantada com a capacidade de ainda me surpreender… Ainda assim não está certo, é certo que o meu coração se mantém na mesma caixa de sapatos em que o deixei quando te apaixonas-te, mas não deixei de te amar, simplesmente nunca soube tomar atitudes drásticas o suficiente para te deixar para trás e seguir com a minha vida…
Sinto-me tão perdida, sinto tanto a falta que me fazes, sinto-te tanto nos nossos momentos de silêncio, nos momentos em que lado a lado sinto o peso estático da atmosfera carregada que emanas, a atmosfera de um sofredor que ainda não descobriu que caminho tomar na penosa caminhada desta vida.
Sei que os teus braços abertos estão longe demais, até porque não é a mim que eles esperam, ouve-me, estou desesperada, tens que estar por aí, algures… Já não aguento, a tua melodia não me sai da cabeça, ribomba lá dentro com a força de mil trovões, explode-me, ouve-me, ouve-me agora… viras-te o meu mundo ao contrário, destruíste tudo aquilo que me restava de sanidade, tudo o que me prendia a esta mundana forma de ser, não sei reconstruir estes escombros, que vida…
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